Procedimentos · Base do crânio

Cirurgia endoscópica da base do crânio

Tumores de hipófise, fístulas liquóricas, meningoencefaloceles e outras lesões entre o nariz e o cérebro, operadas pelo nariz, sem abrir o crânio, por uma equipe formada por otorrinolaringologista e neurocirurgião.

  • Equipe com neurocirurgia
  • Navegação cirúrgica
  • Sem incisões externas
Ressonância magnética da base do crânio
  • Dois cirurgiões operando ao mesmo tempo
  • Reconstrução da base com tecido do próprio nariz
  • Internação de poucos dias na maioria dos casos
O que é

Um corredor natural até a base do cérebro

A base do crânio é a região óssea que separa o nariz e os seios da face do cérebro. Algumas lesões crescem exatamente nessa fronteira: adenomas da glândula hipófise, meningiomas, cordomas, cistos e defeitos por onde o líquido que envolve o cérebro escapa para o nariz.

Na cirurgia endoscópica endonasal, o endoscópio e os instrumentos entram pelas narinas e chegam à lesão sem cortes na face e sem abertura do crânio. O otorrinolaringologista cria o acesso e cuida da reconstrução; o neurocirurgião remove a lesão. Os dois trabalham simultaneamente, com imagem em alta definição e, quando necessário, navegação cirúrgica guiada pela tomografia e pela ressonância.

Por que a via endoscópica

Comparada à craniotomia tradicional para as mesmas lesões, a via endonasal evita manipular o cérebro, não deixa cicatriz e costuma ter recuperação mais curta. Não é indicada para todas as lesões: a escolha depende da localização, do tamanho e da relação com vasos e nervos, e é tomada em conjunto pela equipe.

Reconstrução da base do crânio

Ao final da remoção, a abertura criada é fechada com enxertos e, nos casos maiores, com um retalho de mucosa do próprio septo nasal (retalho nasosseptal), que mantém a vascularização e reduz o risco de vazamento de líquor. Essa etapa é decisiva para a segurança do procedimento e é uma das razões para a participação do otorrinolaringologista especializado.

Quando é indicada

Lesões tratadas por via endonasal

As indicações mais frequentes. Cada caso é discutido pela equipe para definir se a via endoscópica é a mais segura.

Adenomas de hipófiseTumores benignos da glândula hipófise, produtores ou não de hormônios, que causam alterações hormonais, dor de cabeça ou perda visual por compressão do nervo óptico.
Fístula liquóricaSaída de líquido claro pelo nariz por um defeito na base do crânio, espontânea, após trauma ou cirurgia. O fechamento evita a meningite.
MeningoencefaloceleHerniação das membranas e, às vezes, de tecido cerebral para dentro do nariz por uma falha óssea, que pode se apresentar como pólipo ou fístula.
Meningiomas selecionadosTumores benignos das membranas que envolvem o cérebro, quando localizados na base anterior ou na região selar e acessíveis pelo nariz.
Cordomas e condrossarcomasTumores raros do clivus, o osso atrás do nariz, cujo acesso endoscópico permite remoção com menor manipulação de estruturas vizinhas.
Craniofaringiomas e cistosCraniofaringiomas e cistos da bolsa de Rathke em casos selecionados, além de mucoceles com extensão para dentro do crânio.
Como é feita

Quatro etapas, uma equipe

1

Avaliação conjunta

Ressonância e tomografia de alta resolução, exames hormonais, avaliação oftalmológica quando há risco visual e discussão do caso entre otorrinolaringologia, neurocirurgia e endocrinologia.

Diagnóstico
2

Planejamento do acesso

Definição do corredor endonasal, da necessidade de navegação cirúrgica e do tipo de reconstrução, incluindo a preparação do retalho nasosseptal quando indicado.

Navegação
3

Cirurgia a quatro mãos

Sob anestesia geral, o otorrinolaringologista abre o acesso e o neurocirurgião remove a lesão, com os dois atuando ao mesmo tempo. Ao final, a base do crânio é reconstruída.

Endonasal
4

Pós-operatório

Observação hospitalar por alguns dias, orientação para não assoar o nariz nem fazer esforço, lavagens nasais e retornos com endoscopia para limpeza e acompanhamento da cicatrização.

Acompanhamento
Recuperação e cuidados

O que esperar nas primeiras semanas

A recuperação é mais tranquila do que a maioria dos pacientes imagina, mas exige disciplina com alguns cuidados que protegem a reconstrução da base do crânio.

  • Não assoar o nariz nem fazer esforço físico por algumas semanas
  • Lavagens nasais com soro, conforme orientação, para remover crostas
  • Retornos com endoscopia para limpeza e avaliação da cicatrização
  • Acompanhamento com endocrinologia e neurocirurgia quando indicado
  • Olfato e respiração melhoram progressivamente ao longo de semanas
Sinais de alerta: saída de líquido claro pelo nariz, febre, dor de cabeça intensa ou rigidez na nuca devem ser comunicados imediatamente à equipe.
Dr. Ricardo Dolci de jaleco no consultório
Riscos e limitaçõesVazamento de líquor, sangramento, infecção e alterações hormonais são possíveis e discutidos em detalhe na consulta.
Dúvidas frequentes

Perguntas sobre a cirurgia

Conteúdo educativo. A indicação é sempre individual.

Vai ser preciso abrir a cabeça?

Não. Todo o acesso é feito pelas narinas. Em lesões muito extensas ou com localização desfavorável, a equipe pode recomendar outra via ou uma combinação de técnicas, o que é discutido antes da cirurgia.

Fica alguma cicatriz ou mudança no formato do nariz?

Não há cortes na pele e o formato externo do nariz não é alterado. Internamente, parte da mucosa do septo pode ser usada na reconstrução, o que causa crostas e sensação de nariz seco por algumas semanas, até a cicatrização completa.

Quem faz a cirurgia: o otorrino ou o neurocirurgião?

Os dois, ao mesmo tempo. O otorrinolaringologista é responsável pelo acesso pelo nariz, pela proteção das estruturas nasais e pela reconstrução da base do crânio; o neurocirurgião, pela remoção da lesão. Essa divisão é o padrão das equipes de referência em base do crânio.

Vou precisar de UTI?

Na maioria das cirurgias de hipófise e de fístula, a primeira noite é passada em unidade de observação ou UTI por precaução, seguida de internação em quarto. O tempo total depende da lesão e do controle hormonal no pós-operatório.

O olfato pode ser afetado?

O olfato pode diminuir temporariamente por causa das crostas e do edema. A preservação das áreas olfatórias faz parte do planejamento do acesso, e a maioria dos pacientes recupera o olfato ao longo das semanas seguintes.