Procedimentos · Rinologia

Sinusite crônica e polipose nasal

Para quem convive há meses com nariz entupido, secreção, pressão no rosto e perda de olfato apesar dos remédios. A cirurgia endoscópica funcional abre as vias de drenagem dos seios da face e remove os pólipos, e os medicamentos imunobiológicos ampliam as opções nos casos mais graves.

  • Alta no mesmo dia ou no seguinte
  • Sem tamponamento convencional
  • Plano de manutenção após a cirurgia
Endoscopia nasal no consultório
  • Cirurgia só após tratamento clínico bem feito
  • Imunobiológicos em casos selecionados
  • Olfato e respiração como metas do tratamento
O que é

Uma doença inflamatória, não apenas uma infecção

Rinossinusite crônica é a inflamação persistente da mucosa do nariz e dos seios da face por mais de doze semanas, com obstrução nasal, secreção, pressão facial e redução do olfato. Em parte dos pacientes, a inflamação forma pólipos, massas benignas e gelatinosas que bloqueiam ainda mais a respiração e o olfato.

Diferentemente da sinusite aguda, não se trata de uma simples infecção a ser curada com antibiótico. É uma condição crônica, muitas vezes associada a asma, alergia, intolerância à aspirina ou alterações do sistema imune, e seu controle combina medicação, cirurgia quando indicada e manutenção de longo prazo.

Cirurgia endoscópica funcional dos seios paranasais

A cirurgia é indicada quando o tratamento clínico otimizado (lavagens nasais, corticoide tópico, cursos de corticoide oral e antibióticos quando apropriados) não controla os sintomas e a tomografia confirma a doença. Pelo nariz, com endoscópio, abrem-se as vias de drenagem dos seios, removem-se os pólipos e o tecido doente, e criam-se cavidades amplas que permitem que a medicação tópica chegue onde precisa.

Imunobiológicos

Nos pacientes com polipose grave, recidivante ou associada à asma, medicamentos imunobiológicos que bloqueiam vias específicas da inflamação podem reduzir os pólipos e recuperar o olfato. A indicação segue critérios definidos e é avaliada caso a caso, muitas vezes em conjunto com a cirurgia e não em substituição a ela.

Sinusite fúngica

A bola fúngica, acúmulo de fungos em um seio da face, e a rinossinusite fúngica alérgica, reação inflamatória intensa aos fungos, são tratadas principalmente pela remoção endoscópica completa, seguida de acompanhamento para evitar recidivas.

Quando a cirurgia é indicada

Situações em que o tratamento clínico não basta

Sintomas persistentesObstrução, secreção, pressão facial ou perda de olfato por mais de 12 semanas apesar do tratamento clínico bem feito.
Polipose nasalPólipos que bloqueiam a respiração e o olfato e não regridem com corticoide tópico e oral.
Crises de repetiçãoVárias sinusites agudas por ano, com necessidade frequente de antibiótico e impacto na rotina.
Sinusite fúngicaBola fúngica ou rinossinusite fúngica alérgica, que exigem remoção do conteúdo do seio.
Asma e aspirinaDoença respiratória exacerbada por aspirina, com polipose grave e asma de difícil controle.
ComplicaçõesMucoceles, extensão para a órbita ou para o crânio, que pedem tratamento cirúrgico sem demora.
Como é o tratamento

Do tratamento clínico à manutenção

1

Tratamento clínico

Lavagens nasais de alto volume, corticoide tópico e, quando indicado, corticoide oral e antibiótico. Investigação de alergia, asma e intolerância à aspirina.

Primeira etapa
2

Endoscopia e tomografia

Confirmam a extensão da doença e orientam a decisão. A cirurgia só é proposta se os sintomas persistirem com o tratamento clínico otimizado.

Decisão
3

Cirurgia endoscópica

Sob anestesia geral, pelo nariz, abrem-se os seios comprometidos e removem-se os pólipos. Navegação cirúrgica em anatomias alteradas ou reoperações.

1 a 3 horas
4

Manutenção

Lavagens, corticoide tópico nas cavidades abertas, retornos com endoscopia e, nos casos graves, imunobiológicos. É o que mantém o resultado no longo prazo.

Longo prazo
Recuperação e cuidados

As primeiras semanas

O pós-operatório costuma ser mais leve do que o esperado: a sensação é de um resfriado forte, com nariz congestionado e crostas, que melhora a cada retorno.

  • Lavagens nasais várias vezes ao dia desde o primeiro dia
  • Sem tamponamento convencional na maioria dos casos
  • Retornos para limpeza endoscópica nas primeiras semanas
  • Evitar esforço e não assoar o nariz com força por 2 semanas
  • Corticoide tópico e acompanhamento contínuo para manter o resultado
Riscos e limitações: sangramento, infecção, sinéquias e, raramente, lesão da órbita ou da base do crânio. A recidiva de pólipos é possível na doença mais grave, por isso a manutenção é parte do tratamento.
Dr. Ricardo Dolci sentado no consultório, sorrindo
Respirar e sentir cheiro de novoAs metas do tratamento são funcionais: respiração, olfato, sono e menos crises.
Dúvidas frequentes

Perguntas sobre sinusite e pólipos

Conteúdo educativo. A conduta é sempre individual.

A cirurgia cura a sinusite de vez?

A cirurgia trata a obstrução e remove o tecido doente, com grande melhora dos sintomas na maioria dos pacientes. Como a rinossinusite crônica é uma doença inflamatória, o controle de longo prazo depende da manutenção com lavagens e medicação tópica, que a cirurgia torna muito mais eficaz.

Os pólipos podem voltar?

Podem, principalmente nos pacientes com asma, intolerância à aspirina ou inflamação mais intensa. Cirurgias amplas, manutenção rigorosa e, nos casos selecionados, imunobiológicos reduzem bastante essa chance.

Os imunobiológicos substituem a cirurgia?

Em geral, não. São indicados para polipose grave que recidiva mesmo após cirurgia ou em pacientes com asma de difícil controle, e costumam funcionar melhor em cavidades já operadas. A escolha depende de critérios clínicos, custo e resposta a cada tratamento.

Dói? Vou ficar com o nariz tampado?

A dor costuma ser leve e controlada com analgésicos comuns. O tamponamento de gaze raramente é usado; quando necessário, utilizam-se materiais absorvíveis. A congestão dos primeiros dias se deve ao edema e às crostas, que melhoram com as lavagens e os retornos.

Posso operar o septo na mesma cirurgia?

Sim. Desvio de septo e aumento das conchas nasais são frequentemente corrigidos no mesmo procedimento, melhorando a respiração e o acesso aos seios da face.